28 de janeiro de 2015

A Hora de Seguir em Frente - Carta


18h29 – Segunda-feira, dia 19 de Janeiro de 2015

Querido (insira seu nome aqui),
Começo a escrever logo depois de umas mensagens peculiares e boas risadas. Eu não sei seu nome, mas estou te enviando esta carta aleatoriamente, com o objetivo de te contar uma história. Meu amigo e eu presenciamos um grande progresso em mim. Você já sentiu como se toda sua vida fosse direcionada a uma só pessoa, a um só problema? Se não, parabéns, você é muito sortudo e deve bem resolvido. Eu? Ah, eu não sei decidir nem entre dois sabores de sorvete, duas cores de blusa... Mas quando se trata de problema, eu sei muito bem o nome que aparece em minha mente. Não tem mais de um. Não tem confusão. E tem sido assim por um longo tempo.
Não quero entrar em detalhes nessa história, então direi o que você precisa saber. Meu nome é Mariana, tenho 24 anos e há dez eu conheci o que eu dizia ser o amor da minha vida. Correspondido, porém fracassado, o sentimento viveu em mim intensamente durante todo o tempo. É claro que foi diminuindo. Idas e vindas, brigas, outras pessoas, durante dez anos? Não dá pra levar a mesma bagagem durante tanto tempo. Na verdade, até o dia de hoje, é como se ele estivesse sentado no canto dos meus pensamentos. Não fala nada, mas não deixa de existir. Eu não conseguiria tirá-lo dali nem se eu quisesse, mas não me incomoda tanto quanto antes.
Escrevo agora porque acordei me sentindo diferente. Tive um sonho um pouco esquisito, mas confortável. Vale dizer que eu não sonho mais com ele. É bem raro. Porém, ontem à noite, ele estava lá... Ou quase. Ele dizia que ainda me amava... Por mensagens de texto. Eu queria responder de uma forma linda, mas não queria parecer fraca e idiota. Tinha um enterro de um cara também, e o meu “eu-dos-sonhos” decidiu ir pro funeral. O que não faz sentido já que eu nem sabia quem havia morrido. Percebe-se que a falta e a presença do romantismo são subconscientemente discutidas por mim. Mas esse não é o ponto. O fato é que eu acordei sentindo como se eu tivesse interrompido algo importante, mas deixei de lado. Até às 17h.
Uma mensagem. Um “oi”. Um “oi” dele. Um “oi” dele que já se mostrava indiferente. Um “oi” dele que por trás da pose de indiferença, estava cheio de significado. A conversa durou algumas horas e eu, pela primeira vez em dez anos, agi diferente. Eu me senti diferente. Eu tinha poder, controle. Eu podia falar o que eu quisesse, não tinha medo da opinião dele, não tinha medo de magoar o pseudo-frágil coração dele.
Como isso aconteceu? Eu te explico, querido estranho. Com todo esse tempo, todas as mágoas, lágrimas e vezes eu disse que não voltaria, era impossível que “a hora de seguir em frente” não chegasse. Ela demorou dez anos pra mim, mas, como eu disse, não sei escolher nem sabor de sorvete. Seguir um caminho desconhecido é assustador e ele era o rosto conhecido quando tudo parecia diferente. Eu me prendi à uma situação desconfortável por medo de virar as costas e conhecer o novo. O que eu quero dizer é: não espere dez anos para encontrar sua HoSeF, vulgo Hora de Seguir em Frente. É claro que dói, é claro que é difícil, porém é ainda mais viver dentro da dolorosa mesmice. Não digo isso só para o amor, mas para qualquer situação que te prenda ao passado e que te deixe mal. Cuidado com a linha tênue entre a saudade e o saudosismo.
Começo a escrever essa carta para você, destinatário desconhecido, depois de mensagens peculiares e boas risadas. Tem certeza que você prefere alimentar o problema no canto da sua mente?

Com liberdade,

Mariana



Olá, povo! Tudo bom com vocês? Estou começando uma nova seção no blog. Esses dias, a tia Ruh veio me perguntar o porquê de eu não estar postando no blog. Bloqueio criativo, minha gente, bloqueio criativo. Na hora de passar para o papel (ou melhor, para as teclas), as coisas se embolam na minha cabeça e tudo fica confuso e ah! Então eu disse que tinha começado um texto, mas que não havia conseguido terminar ele porque não estava inspirada. Tenho mania de escrever um '"""""diário"""""" (considere todas as aspas), só que em forma de pequenas histórias, como se não fossem minhas, de amigos meus ou de conhecidos, mas sim de pessoas que não conheço. Eu não sabia se seria legal postar isso aqui, mas como o PL é majoritariamente literário, a tia Ruh não viu problema. Bem, essa é a razão. Tentarei postar alguns textos toda semana aqui, seja em forma de conto, carta ou reflexão. Alguém pode me ajudar com um nome para a seção? (:

Beijão!


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